Bendito seja quem aceita
o pranto,
Pra suavizar
seus desenganos,
Aceitando o amor em cada
canto,
Vivendo em paz com o
passar dos anos.
O pranto é apenas
consequência,
Desse nosso vagar tão
passageiro,
Um instante frágil da
existência,
Que some ante um amor
verdadeiro.
Uma lágrima furtiva que
rola,
Molhando o coração de
uma saudade,
Um momento de amargura
que assola,
Que faz parte do acervo
da verdade.
No mar revolto de nossa
existência,
É apenas uma onda
benfazeja,
Para testar quanta força
e resistência,
O nosso amor enfrenta e
não fraqueja.
Bendito seja quem aceita
o pranto,
E chora nos momentos de
amargura,
Sem perder pela vida o
seu encanto,
Bate na dor sem banir a
ternura.
Bendito seja
quem suporta o pranto,
Por um amor profundo e
sincero,
Quem lacrimeja nesse
doce acalanto,
Quem pratica a caridade
com esmero.
Maldito seja quem afaga
a maldade,
E provoca a dor no
inocente,
E destila sem dó nem
piedade,
A mágoa na alma de um
carente.
Bendito seja quem
pranteia a dor,
De uma mãe que chora
inconsolada,
Um filho que foi vítima
do terror,
E o abraça sofrida e
desolada.
Bendito seja quem afaga
uma criança,
E com amor alivia o seu
pranto,
E uma restea de luz e de
esperança,
Põe fé e amor nesse
meigo acalanto.
Bendito seja quem afaga
o pranto,
De quem chora num leito
de hospital,
E canta um ninar de
acalanto,
Pra quem
vive nesse estado
terminal.
Fortaleza, 04/10/09