Poesias de Marcos Milhazes

 

 

 

A MEIA LUZ...
 
 
 
Marcos Milhazes***
 


És uma parreira que sem saber seca
para logo procriar as uvas brilhosas
e que por sua vez
pari vinhos estonteantes ao entardecer

És o exótico  que sem saber que virá e vira
a exuberância rara do raro de um candeeiro rudimentar
És o tom que sem ter conhecimento,  
dá meia claridade a cor do anoitecer

Das corredeiras aflitas, sem saber és a força
d'água que carrega o meu destino
És de fato meu ato que atoa
 se despiu da humildade
para declarar-se seu ao pôr do Sol

Do arcanjo ao anjo me viste assim, sem saber
das heresias profanas  que se misturavam as minhas orações
feitas em pensamentos junto ao brando lume da vela
quando rezava por ti

És mulher, que sem saber  virou
a silhueta de menina refletida na memória
que estava amando um homem
e que não mais a penumbra pode esconder...


 
 
 
 
 O Bar dos Sentimentos
 
 
 
Marcos Milhazes


 Se você me disser que me amas, acreditarei,

apenas pedirei para me servir uma dose dupla desse sentimento.

Se você falar de saudades vou crer,

apenas pedirei a dose certa para que eu continue sóbrio.

Se você disser que para me ver faz milagres,

serei religioso ou devoto, mas,

apenas pedirei que me sirvas uma dose cúmplice.

Se você me disser que a vida, não tem cor sem mim,

acreditarei, mas lhe pedirei para me servir uma dose de matizes.

Se você fala que perde a voz ao me ouvir,

vou as alturas para escutá-la, porém te pedirei uma dose de razão.

Se você disser que sua paixão por mim é imensurável,

vou sentir-me nas nuvens, mas vou querer uma dose sem medidas.

Enfim.

Se você disser que será eternamente minha,

vou crer, mas lhe pedirei uma dose de presságio.

Já que depois de tantos tragos,

estarei ébrio,

e inebriado de você.


 
 
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