Poesias Maria Hilda de J. Alão

 

 

PARA QUÊ TANTO AMOR?


          Maria Hilda de J. Alão.


Para quê tanto amor tanto desejo
Se te amar eu não posso mais?
A vida me tirou esse direito
Quando, de mim, te levou.

Para quê sorrir, ter alegria
Se meu coração é só saudade?
Nem rezar ele me deixa
Fazendo-me esquecer a oração

Que alivia a dor da ausência
Deixando o corpo em dormência
Com forte dose de endorfina
Liberada pelas células cerebrais

Quando as lembranças acordam
Do sono da desesperança
Tomando conta do meu ser.
Fico sem saber o que fazer


Paralisada diante da janela
Olhando o sol descendo no mar,
Meu estafeta levando a missiva
Escrita com a pena do coração


Para te dizer, no minuto derradeiro
Do fim do dia e começo da noite,
Que a borracha do tempo não apagou
A história do nosso amor verdadeiro.

14/11/04.

 

 

             VIAGEM PARA DENTRO DE MIM           


Maria Hilda de J. Alão.                


O leito é um jardim de preguiça,              
Alfombra onde amar não é proibido.          
É relva onde o desejo brota e viça,         
E o amor não deve ser contido.              

Ele abre meus braços em cruz,                
Prende minhas mãos em vertigem,           
E sobre mim crucifica-se em luz             
Impregnando-me de amor virgem.          

Viaja dentro de mim, no meu sangue...      
No céu, estrelas acendem e se apagam,    
E neste momento em que estou exangue    
Vejo anjos que ao meu redor vagam.        

Deu-me um prazer longo e profundo...     
Nossas bocas se uniram com carinho,     
 Adormecendo nossas línguas no fundo      
De nossas gargantas como num ninho.    

E nossas peles, chorando em lamentos,
Umedeceram os lençóis decorados,       
Na ânsia e loucura desses momentos   
Somos livres, seres purificados.           

26/09/07.

 

 

 

 

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